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MAFALDA MINNOZZI – Release do Cd CONTROVENTO
Por Regina Echeverria
Não basta cantar. É preciso interpretar, sentir, deixar-se tomar pelo significado dos sons e das palavras. Para que os sentidos de quem ouve uma canção sejam completamente seduzidos, quem canta deve ir muito além. Uma voz atlética deve exibir toda a sua nuance, ir do pianinho ao mais retumbante dó de peito com segurança e atitude. É o caso da italiana mais brasileira que se conhece hoje, Mafalda Minnozzi. Ela canta com o corpo, canta com o coração. E é por isso que se torna um enorme prazer percorrer as doze faixas (e mais uma de bônus, apenas para os ouvintes brasileiros), do CD Controvento. Trata-se de uma produção independente e o quinto disco de carreira da garota nascida em Pávia, que desembarcou no Brasil pela primeira vez em 1996.
O título do CD deve-se ao som acústico e elétrico em lugar do digital, quando se utilizaram microfones valvulados, os mesmos usados na década de 60, com a intenção de captar até os sussurros e a respiração da cantora e, ainda, para que a emissão de sua voz soasse limpa, seca, sem qualquer efeito especial. Pesou ainda na escolha do título do CD, o fato de Mafalda Minnozzi ter escolhido compositores considerados “cult” na Itália, embora desconhecidos no Brasil, autores com sensibilidade suficiente para que a intérprete demonstrasse seus sentimentos musicais, através de letras e músicas coerentes com sua maneira de viver e ver o mundo. Entre eles, Mariella Nava, Sérgio Cammariere e Pino Daniele, que pertencem ao que se convencionou hoje chamar de Nova Música Popular Italiana (MPI). A escolha do repertório recaiu sobre canções inéditas e originais, com exceção de apenas uma – Prima Dammi Un Bacio, de Lucio Dalla, gravada anteriormente por Martinho da Vila, em dueto com a própria Mafalda, no CD Brasilatinidade.
Conta, ainda, neste CD, o fato de sua protagonista ter escolhido entre os músicos que a acompanham, aqueles declaradamente apaixonados por música. De Nova York, convidou o saxofonista Aaron Heick, o mesmo que acompanhou o africano Richard Bona em sua turnê mundial e, atualmente, acompanha a cantora Barbra Streisand em shows pelos Estados Unidos e presente na faixa Prima Dammi Un Bacio.
Por sua paixão pelo pianista uruguaio Hugo Fattoruso, Mafalda gravou três faixas de Controvento no Uruguai (L’Arcobaleno, Dimmi Che Non Vuoi Morire e Una Notte in Italia).
Também de Nova York veio à contribuição do guitarrista Paul Ricci, que toca em praticamente todas as faixas do CD. É ele, também, quem assina a autoria da maioria dos arranjos de Controvento, ao lado da própria Mafalda Minnozzi.
Já entre os brasileiros, a escolha de Mafalda recaiu sobre três grandes e conhecidos músicos do país: o mestre Paulo Moura (que contribui com sua clarineta na faixa Tutto Quello Che Un Uomo), o violonista Guinga (L’Arcobaleno e no arranjo da faixa-bônus O Arco-Íris), além do violão precioso de Marcos Teixeira (Quando).
Moogie Canazio (vencedor do Grammy Latino de 2005, pelo CD Cantando Histórias, de Ivan Lins) foi o engenheiro de som que gravou e editou a voz.
O disco foi finalizado em NY. A mixagem final leva a assinatura dos americanos Craig Bishop e Rick DePofi, do Estúdio NY Noise, e a masterização ficou nas mãos de Fab do Estúdio pureMix NYC.
Enfim, depois de tanto carinho e cuidado na produção, o resultado não podia ser mais original: Mafalda Minnozzi está solta como nunca, cantando muito e nos presenteando com esta pequena jóia musical e que a afasta definitivamente daquela que os jornalistas cariocas apelidaram de “a pupila de Rita Pavone” quando se mostrou pela primeira vez ao público brasileiro há onze anos.
A personalidade musical de Mafalda Minnozzi se firma definitivamente no CD Controvento, a ser lançado lá e cá.
Aproveitem!
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